terça-feira, 18 de janeiro de 2022

HOMENAGEM EM SÃO PAULO, PELO INSTITUTO BEVENUTTO - Cordel


 


HOMENAGEM EM SÃO PAULO, PELO INSTITUTO BEVENUTTO.

(Cordel de: Raimundo Sandro Cidrão)

1

Plantando boas sementes

Nos campos da Educação,

Germinaram lindas árvores

No íntimo do coração

Daqueles que ensinei

E o meu tempo dediquei

Em cada sala de aula;

Com toda determinação

Segurando em cada mão

Conduzindo, edifiquei.

2

E como diz o ditado:

“A gente colhe o que planta”

A semente da bondade

Se multiplica em tantas...

Vem o reconhecimento

Servindo pra nós de alento

Valorização que encanta.

Homenageado em vida

Antes da grande partida

Que ninguém sabe o momento.

3

E aconteceu comigo

Um grande contentamento

Da cidade de São Paulo

Veio o reconhecimento

Do Educacional Instituto

Que tem no nome Bevenutto

Onde ex-alunos meus estão.

Resolvem então denominar

E numa escola colocar

Raimundo Sandro Cidrão

4

Lá no Jardim Damasceno

Na Freguesia do Ó

Na metrópole de São Paulo

Meus amigos, vejam só

Josy Maria e Francisco

Santanenses, lá benquistos

Juracildo e outros mais;

Enfrentaram tal jornada

Com uma data já marcada

Para esse evento de paz.

5

De brinde eu também ganhei

Passagens de avião

E pela GOL eu voei

Testando meu coração.

E eu fiquei maravilhado

Das alturas, vi ao lado

Sampa, Guarulhos... olhei.

O medo ficou de lado,

Pois antes do esperado

Em terra firme pisei.

 

6

No “hall” do Aeroporto

Que é o maior do país

Vi o ex-aluno Francisco

Fiquei então mais feliz.

Ao ver Josy e Juracildo

Chamei logo o Francinildo

Que comigo viajou;

Então pegamos as malas;

Saímos daquelas salas

Das esteiras, com calor.

7

Fomos ao apartamento

Onde iríamos nós ficar

Antes de entrar disse Josy:

Vamos um caldo tomar;

É o famoso “caldo verde”

Depois na cama ou na rede

Dormir, também descansar.

Para bem cedo sair

No carro que devia vir

Bem cedinho, nos buscar.

8

Dezessete de dezembro

De dois mil e vinte e um

Foi bela a inauguração

Num momento incomum;

Sexta-feira que encantava

Do céu até neblinava

Como numa saudação.

Cheguei e me encantei

A todos cumprimentei,

Com carinho e atenção.

9

A festa pela manhã

Tocou o meu coração

Quando vi naquela placa:

“CEI Professor Sandro Cidrão”

Todos uniformizados

Professores, convidados,

Alunos e funcionários.

Em todas as dependências

Móveis, jogos de Ciências,

Brinquedos, também berçários.

10

E dentre os convidados

Santanenses encontrei:

Níria, Cícero, Mariene

Com Cecília, me animei.

Logo então fui convidado

Na mesa de honra, sentado

Ao lado de autoridades;

Câmara e subprefeitura,

Secretários à altura;

Estava bem ladeado.

11

Dulcilene, a diretora

Silvia, com desenvoltura

Parceira Maria Cecília

Amores de criaturas;

Marlena Payan, Larissa;

Com Francisco a premissa

De alcançar mais e sempre.

A Doutora Josy falou

Em sua mensagem exaltou

O professor santanense.

12

Ao proferir meu discurso

Bem antes solicitei

Um minuto de silêncio

Então a Deus eu orei,

Pois na noite anterior

Deixando tristeza e dor

Uma funcionária faleceu:

Marli, exemplo de fé.

Para nos manter de pé,

Sua esperança venceu.

 

13

E assim Juliana Fábio

Segue o cerimonial

Me entregando o microfone

Para o discurso inaugural.

Paulo Freire, então citei

E logo me emocionei

Lembrando a situação;

Nesta grande pandemia

Que trouxe tanta agonia

Para a Cultura e Educação

14

Após lauto “coffee break”

Fomos então visitar

Os outros CEI’s existentes

E num deles almoçar.

“Asas da Vida” primoroso,

“Maura”, o “Benigna Cardoso”

E “o Anivaldo” também.

Willamara eu conheci,

E a Andréa, depois daí;

Gente agradável, do bem.

15

Fui também presenteado

Com um inesquecível “tour”

Museus, teatros, igrejas,

Ruas, praças, “expotur”.

Holambra com suas flores

Num festival de mil cores

Degustei o seu “menu”.

“Filé à parmegiana”

Numa apresentação bacana

E uma “petit gateau”.

16

Conheci o centro histórico

Também a Sé Catedral

Fui à Estação da Luz,

Ao teatro Municipal;

“Monteverdi em concerto”

O coral tocou meu peito

E o Minczuck magistral,

Com tenores e sopranos;

Não estava nos meus planos

Este evento cultural.

17

Lembrei show de Elis Regina

No Viaduto do Chá

Quando de lá avistei

“Selva de pedra” sem par

A Rua Santa Ifigênia

E o prédio de Dona Armênia

Me veio a inspiração;

De produzir estas rimas

Sentado em uma esquina

Na Ipiranga com a São João.

18

Mas foi na Pinacoteca

O momento magistral

Me deparei frente à frente

Com um “Tarsila do Amaral”.

A tela “Antropofagia”

Com toda a sua magia

Da arte, a revolução.

Debret e Di Cavalcanti

Rodin, da escultura, amante

Tocaram meu coração.

 

19

Às vésperas de retornar

Fomos então, conhecer

A Chácara do Francisco

Pra sua esposa eu rever

Seu nome “Preta” Maria

Uma flor de simpatia;

Solícita em agradar;

A sua casa mostrou

Também me presenteou

Com um mimo, vou lembrar.

20

Na manhã da sexta-feira

Já na véspera do Natal

Fomos ao aeroporto

Naquela área central.

Corre-corre contra o tempo;

Guichês, “check-in”, contratempos

Num vaivém infernal.

Com bagagens despachadas,

Seguimos para as entradas

Do nosso embarque, afinal.

21

Lá, triste, eu me despedi

Da amiga Josy Maria

E do compadre Juracildo

Que fez mais do que podia.

No salão de embarque entrei

E lá então encontrei

Silmara de mala na mão.

Mariene me abraçou,

Pois íamos no mesmo voo

Voltar ao nosso torrão.

22

Chegando ao Juazeiro

A Deus, logo agradeci

A viagem foi tranquila

De São Paulo ao Cariri.

Fernando e Cida lá estavam

Com o Moésio, esperavam;

Quanta consideração!...

Seguimos para Santana

Neste encontro bem bacana

Com fé e determinação.

23

Chegando a minha casa

Filhas e esposa abracei,

E fomos logo cantando

O bendito: “A nós descei...”

Após a Entronização,

Agora, a Renovação

Iríamos todos rezar;

Ao Coração de Jesus

Pedindo que a sua luz

Nos viesse abençoar.

 

 

Santana do Cariri-CE, 13 de janeiro de 2022.

terça-feira, 17 de março de 2020

O CALVÁRIO DE JESUS 2020


                AVISO URGENTE!

                Levando em consideração o Decreto Municipal Nº 1603001/2020, de 16 de março de 2020, que estabelece medidas de prevenção e enfrentamento ao novo Coronavírus (COVID-19), venho comunicar ao público em geral e aos integrantes do Grupo Teatral Santanense, que o Espetáculo Teatral “O CALVÁRIO DE JESUS”, previsto para ser apresentado dia 04 de abril do ano em curso, está CANCELADO.
                Está medida visa conter a propagação de infecção e transmissão local e preservar a saúde pública, nessa pandemia global.
                Agradeço a compreensão e colaboração de todos.

                RAIMUNDO SANDRO CIDRÃO – Diretor Teatral






segunda-feira, 2 de março de 2020

MOVIMENTO DE BENIGNA - Como tudo começou


MOVIMENTO DE BENIGNA
Como tudo começou

No dia 15 de outubro de 1928 , nasce Benigna Cardoso da Silva, no Sítio Oiti dos Sirineus, nas proximidades do Povoado de Inhumas, em Santana do Cariri, sul do estado do Ceará.
Em 24 de outubro 1941, Benigna, órfã de pai e mãe adotada pela família “Sisnando Leite”, já uma adolescente de 13 anos de idade; é assassinada barbaramente a golpes de facão, quando ia pegar água numa cacimba nas proximidades da casa onde morava, depois de resistir às propostas sexuais do seu agressor Raul Alves. O hediondo crime que abalou todo o município, chamou a atenção de pessoas que, ao passarem pela estrada do povoado de Inhumas, iam até o local do martírio. Com o correr dos anos, devotos de diversas localidades, começaram a deixar num cruzeiro à beira da estrada, ex-votos diversos, em pagamento a promessas feitas, por graças alcançadas por intermédio da jovem mártir, que muitos consideravam “Santa”.
Ao publicar o livro “Resgatando a Memória de Santana do Cariri”, no ano de 1994, o professor Raimundo Sandro Cidrão, dedica um capítulo especial para o resgate da história comovente da heroína santanense Benigna.
Tendo conhecimento desta história de Benigna, de sua bravura e do seu martírio em tenra idade, com requintes de crueldade; o líder comunitário potiguar Ary Gomes do Nascimento (Cidadão Santanense), resolve visitar o cenotáfio do local do martírio, no início do ano de 2004; e lá, junto com o autor do livro supracitado, tem a ideia de realizar uma missa nesse lugar, para celebrar os 63 anos de morte daquela que os santanenses chamavam de “Santa” e “Mártir”.  Um retrato baseado nas informações, características e dados sobre Benigna foi feito pelo historiador Sandro Cidrão, assim como a composição de um hino.
Juntamente com o Professor Sandro, Ary mobilizou a comunidade de Inhumas, alguns contemporâneos e familiares de Benigna, criou uma Comissão Central para o Movimento em prol de Benigna Cardoso e da realização da primeira missa no local do assassinato, tendo como grande colaborador o senhor “Chico Pezinho”, junto com alguns familiares. Na data de 24 de outubro deste mesmo ano, a missa foi paga e o padre da época se deslocou da Casa Paroquial para celebrar no Sítio Oiti. Um caminhão serviu de palanque. Teve coral, violonista, cânticos, bandeirolas, carro de som; devotos. Uma multidão em torno de mil pessoas se deslocou após a missa, em procissão até à Capela de São Vicente, padroeiro de Inhumas, onde aconteceu uma apresentação teatral e queima de fogos. Se constituía esse evento, na I Romaria de Benigna.
Depois disso, muitas caminhadas foram feitas até o local, por devotos e pessoas que se engajavam no Movimento, sempre cantando e rezando o Santo Terço, periodicamente, com “cafés da manhã” comunitários. Ary Gomes se dividia entre a cidade de Natal e Santana do Cariri.
Na II Romaria, ocorrida em 24 de outubro de 2005, foi lançado também por Ary, um outro projeto: a construção de um Santuário-Memorial, como local de oração, meditação e para serem guardados os ex-votos. O Senhor Assis Fernandes doou o terreno, outros doaram materiais, dias de serviço; as mulheres faziam almoço e merenda. A Pedra Fundamental foi fincada nesse solo, e - em sistema de mutirão -, o sonho começou a tomar forma. Foi feita a “Campanha do Real” rua a rua, casa a casa; bazares; sorteios de prendas, visitas a empresas e outras atividades, em prol da concretização desta meta.
Em 2006 é feito o primeiro convite ao bispo da época D. Fernando Panico, para participar desta, que seria a III Romaria, com crescente participação de pessoas, devotos, visitantes e romeiros. Por problemas de agenda cheia, ele não pode comparecer.                                                                                                                                                                                                                    
Já com o santuário concluso, feito todo em pedra Cariri - desejo do idealizador de aproveitar o calcário laminado da região -, a Romaria de 2007 e a missa aconteceram neste local, com sua inauguração, bênção das instalações  e entrega  oficial à Paróquia Senhora Sant’Ana, na pessoa do Pároco Pe. Elias Ribeiro. Acontece também uma emocionante moto romaria, com bandeiras e buzinaço.                                                                                                                                                                                   

 Em 2008, na V Romaria, objetos de Benigna são expostos no Santuário, numa redoma de vidro: o seu vestido, doado por Tetê e Irani Sisnando; o pote que ela usava pra carregar água; uma cópia do batistério, com anotações feitas pelo Pe. Cristiano Coelho, vigário da época.
Na Romaria do dia 24 de outubro de 2009, vários grupos religiosos e caravanas de cidades circunvizinhas participam, concentrando no Distrito de Inhumas, uma multidão de mais ou menos cinco mil pessoas.
Após diversos convites feitos pela Comissão Central do Movimento de Benigna à Diocese, D. Fernando comunica por meio do então vigário da Paróquia Sra. Sant’Ana, Pe. Adalmiran Vasconcelos, que iria se fazer presente à Romaria; isto na manhã do dia 24.10.2010. Naquela tardinha chuvosa chegando ao Santuário, vendo a fé presente naquela multidão em torno de 7.000 pessoas e a santidade de Benigna se manifestando por meio da natureza; em sua emocionada homilia, o bispo falou estar vendo não o presente, mas a beatificação de Benigna num futuro próximo; quem sabe a primeira beatificação do Ceará.  Chamou Ary Gomes, Sandro Cidrão, os membros da Comissão e o Pe. Adalmiran, e anunciou o interesse da Diocese, em abrir o Processo de Beatificação de Benigna; para isso pediu que juntássemos todos os documentos e provas existentes, referentes a ela.
                No início de 2011, o bispo anuncia o novo pároco: o Pe. Paulo Lemos e seu auxiliar  Pe. Cícero Mariano, para a Paróquia de Santana. O italiano Monsenhor Vitaliano Mattioli é designado postulador da causa. Os trabalhos são intensificados na fase local de instauração do processo, e no dia 9 de abril deste ano, a Comissão Central liderada por Ary Gomes, entrega ao bispo um bem elaborado dossiê; e ao governador do estado Cid Gomes, um abaixo assinado com mais de 3 mil assinaturas, solicitando a pavimentação em paralelepípedo, do trecho que compreende Santana-Inhumas, facilitando assim, o trajeto dos romeiros.
 Nos anos de 2012 e 2013 acontece a Fase Diocesana do Processo de Beatificação de Benigna, com a concessão do “Nihil obstat”, pela Congregação das Causas dos Santos, do Vaticano. O Professor Raimundo Sandro Cidrão é designado pelo Tribunal Eclesiástico, como Diretor da Comissão Histórica.

Santana do Cariri-CE, março de 2020.